Casa da Bouça
D.O.C. Vinho Verde Loureiro 2020
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- Produtor
- Casa da Bouça
- Safra
- 2020
- Uva
- Loureiro em pureza, de parcelas antigas da propriedade em Lousada
- País
- Portugal
- Categoria
- branco
Uva
Loureiro em pureza, de parcelas antigas da propriedade em Lousada
Tipo
branco
Região
Vinhos Verdes
País
Portugal
Como é este vinho
Amarelo-palha claro, brilhante, de aparência quase transparente na borda. O aroma é o retrato da casta levado a sério: flor de laranjeira e acácia, folha de louro fresca esmagada entre os dedos, tília, casca de limão-siciliano e um fundo de erva-doce que aparece depois de alguns minutos na taça. Na boca é seco e afiado, de corpo leve e ataque quase salino, com acidez cítrica muito reta que sustenta o vinho do meio ao fim sem nenhuma aresta dura. A textura das borras finas dá um leve travo cremoso que impede o vinho de ficar esquelético, e o final traz amargor nobre de casca de toranja com persistência surpreendente para o peso da taça. É um loureiro de recorte vertical, mais tenso e mineral do que perfumado e fácil.
Com o que combina
Ostras cruas, vieiras seladas com manteiga de limão, robalo grelhado inteiro com azeite e alho, arroz de lingueirão, sushi e sashimi de peixe branco, ceviche de camarão e salada de polvo com coentro. Vai bem com espargos grelhados e com risoto de limão-siciliano, pratos que costumam brigar com vinho, e limpa a boca de uma tempura de legumes melhor do que a maioria dos brancos da mesma faixa.
Sobre o vinho e o produtor
É o varietal que mostra por que o loureiro é a casta nobre do Vinhos Verdes quando não é diluído em corte comercial. Vem das parcelas velhas da Casa da Bouça, em Lousada, na sub-região do Sousa, trabalhadas em escala pequena por Margarida Serôdio Borges, que aplica aqui a mesma disciplina de não intervenção que pratica na Quinta do Fojo, no Douro. A safra 2020 no Minho teve inverno úmido, ciclo adiantado e maturação sem excesso de calor, o que preservou a acidez natural e manteve o perfil floral em vez de empurrar a uva para o tropical. O resultado é um branco seco, sem gás adicionado e sem maquiagem, cuja graça está na tensão entre a flor branca do aroma e a mineralidade salgada do final. É vinho verde de garrafa, não de jarra.
Vale saber
- Compare lado a lado com o blend da mesma casa se puder: o corte é mais largo e frutado, este é mais estreito, floral e mineral. A diferença ensina o cliente a enxergar a casta em vez da denominação.
- Não sirva gelado demais nem em flûte. A 7 °C a flor de laranjeira fica travada; abra a 8 ou 9 °C em taça de boca média e o nariz muda completamente na segunda taça.
- Não precisa decantar, mas ganha com meia hora de garrafa aberta na geladeira. Um leve fechamento redutivo nos primeiros minutos é comum em brancos criados sobre borras finas e se dissipa sozinho.
- A referência mais próxima para explicar o vinho é um Albariño de Rías Baixas de produtor pequeno ou um Riesling seco do Mosel de entrada, pelo eixo flor mais acidez mais final salgado, e não o vinho verde genérico de rótulo comercial.
- Guarde algumas garrafas. Loureiro de vinha velha e boa acidez evolui bem, e por volta dos seis a oito anos ganha um registro de casca cristalizada e funcho que muda a percepção do que é vinho verde para quem só conhece o estilo jovem.
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