Champagne Clandestin
Les Revers Blanc de Blancs Brut Nature 2019
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- Produtor
- Champagne Clandestin
- Safra
- 2019
- Uva
- Chardonnay
- País
- França
- Categoria
- espumante
Uva
Chardonnay
Tipo
espumante
Região
Champagne
País
França
Como é este vinho
O aroma é mais fechado e mais sério do que o da 2020, com limão em conserva, maçã assada, casca de pão e uma nota de fumaça fria e sílex que só aparece depois de alguns minutos na taça. A madeira usada se traduz em amêndoa tostada e um toque de manteiga avelanada, sempre atrás da fruta. A boca é firme, com bolha de grão miúdo e ataque cortante, corpo médio bem apoiado e uma acidez alta e reta que sustenta o vinho do meio ao fim sem nenhuma almofada de açúcar. A textura vem das borras e do tempo, não da dosagem, e o final é longo, seco e salino, com amargor de casca cítrica e um retrogosto de pedra molhada que insiste bastante. É um champagne austero no bom sentido, de recorte tenso e pouca gordura.
Com o que combina
Peixe branco grelhado inteiro com azeite e limão, linguado ao meunière, vieiras cruas com flor de sal, sushi de peixe branco e vinagre de arroz discreto, robalo em crosta de sal e uma massa fresca com manteiga, alho-poró e parmesão. Aguenta também aves de carne mais firme, como codorna ou galinha d'angola assada, e queijos duros de leite cru como Comté envelhecido.
Sobre o vinho e o produtor
Les Revers pega justamente as encostas que a Côte des Bar historicamente desprezou, as de face norte e oeste, e o nome do rótulo diz isso: são as vertentes de trás, as que recebem menos sol e amadurecem mais devagar. Benoît Doussot foi atrás delas de propósito, apoiado na leitura de solos feita com Claude e Lydia Bourguignon, porque num clima que esquentou é ali que o Chardonnay ainda entrega acidez natural e maturação lenta. Na safra 2019 a Champagne colheu pouco, depois de geada de primavera e de picos de calor no verão, mas o que entrou na adega veio concentrado e com acidez preservada, e é essa combinação que dá a este engarrafamento uma tensão maior do que a média da casa. Sem dosagem alguma, o vinho depende inteiramente da maturidade da uva e do tempo sobre as leveduras para ganhar carne, e o resultado é um blanc de blancs de perfil quase de vinho tranquilo espumantizado, mais próximo de gastronomia do que de aperitivo.
Vale saber
- Decantar não, mas abrir antes sim. Passe o vinho para taça de branco e dê dez a quinze minutos; a 2019 é fechada de saída e a nota fumê de sílex só se organiza com um pouco de ar.
- É a garrafa deste lote com maior potencial de guarda. Se o cliente for beber apenas uma, guarde a 2019 e sirva a 2020 primeiro; a diferença de estrutura entre as duas é visível na mesma noite.
- A 2019 na Champagne foi safra pequena, com geada na primavera e ondas de calor no verão, resultando em uvas concentradas com acidez alta preservada. Num brut nature esse perfil aparece como firmeza e comprimento, não como peso.
- Encosta norte e oeste não é defeito de exposição, é escolha climática. Explique isso ao cliente: em Côte des Bar aquecida, a face fria virou o terroir mais desejável, e é dela que vem a acidez que segura o vinho sem açúcar.
- Como comparação de estilo, aproxima-se de um Chablis de premier cru de encosta fria com bolha, ou dos blanc de blancs de baixa dosagem de vinhateiros como Vouette & Sorbée, a adega onde Doussot deu os primeiros passos.
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